Livros de agosto!

Depois que eu saí do emprego, eu dei a louca e saí comprando livros para compensar todo o tempo que trabalhei e não comprei nenhum. Eu sempre tinha uma infinidade de coisas pra fazer e quando eu via, já não tinha mais dinheiro pra sequer pensar em livros. Como alguns de vocês já sabem, eu resolvi fazer um canal. E já que tomei essa decisão, também resolvi compartilhar por lá a chegada de novos livros na minha vida.
Em junho, comecei a acompanhar o canal da Camila Deus Dará, e depois de ficar muito encantada acabei comprando o box dos livros dela, que por sinal, chegou hoje. Eu tô muito ansiosa, vou comer os livros e provavelmente fazer um vídeo sobre. O de hoje é sobre os outros livros.


Eu tô bem contente com os livros novos. Vamos ver se consigo resenhar eles para vocês depois que eu terminar todos. No momento ainda estou lendo Sandman, no vídeo eu disse que o próximo seria Os Filhos de Anansi, mas com a chegada do box Ninho de Fogo ele vai ter que esperar um pouquinho, tô querendo conhecer o trabalho da Camila há meses!
E o outro livro do Bukowski que eu mencionei acabou chegando essa semana, então resolvi deixar pra falar sobre ele mês que vem. Isso se eu comprar livros o suficiente pra isso hahahah. Talvez eu faça outro book haul somente depois da Black Friday, mas tenho outras ideias para vídeos. Eu tenho que perder a vergonha da câmera, sabe.
Espero que tenham gostado, me deem uma ajudinha por lá! E adoraria saber se alguém aí já leu algum desses livros e o que achou.

Enfim, por hoje é só e até a próxima dose!

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Penumbra

Amargurado o canto preso em minha garganta
Que não sai em forma de notas
Mas desce com a saliva áspera
Em meio ao escuro e o clarear.

Lascívia ávida, o meu penumbrar.

A lentidão do tique taque nos corredores
Me traz remotos pavores
Que há tanto eu não queria buscar.
Busco pela teimosia
E anseio pelo pouco de dor
Que esse amor irá causar.

Passa a dor e o amor fica
Fica com essa ausência de tudo que é esse nada
Quando não tenho o sabor do seu olhar.
Tenho fome de ti, fome de seus olhos famintos
Olhar de lobo ao luar.

Ressonâncias

Lá é sempre lá
Mesmo que se confunda ou misture
Com qualquer outra nota
O lá é especial e melancólico
Assim como o lá que não é aqui

Aqui
A tristeza da nota insiste em permanecer
Pairando no ar, me tirando para dançar
Não quero dançar aqui, somente lá

Porque tão triste, heim, lá?
Me ensinaram há tempos
Aqui na frente desse mesmo portão enferrujado
Os sentimentos de cada nota
Dedilhando lentamente
Descrevendo
Recitando
Cantarolando

Quando chegou sua vez
Não foi preciso dizer que você era a tristeza
Porque ela imediatamente
Se instalou no meu coração
Eu gosto de sentir você
Eu gostaria de tocar você

Quero te tirar do ar e te pegar pra mim
Porque me compreende

Somente um pouco de lá em mim
Iria tragar a minha tristeza para seus pulmões aflitos
E depois soltar como fumaça para o céu
E então,
Depositaria em seu lugar a ressonância harmônica de paz

Como pode uma nota triste trazer alegria?
Tristeza entende tristeza, veja bem
Um pouco de lá aqui, e então eu fico bem.

Nas asas da madrugada

O bater de asas é incessante. Eu enrolo minha cabeça nas cobertas na esperança do zumbido desaparecer.

“Preciso acordar cedo, preciso dormir. Vai embora, desgraça.
Ela não vai. Continua batendo aquelas asas de mariposa. Como pode ela ser tão feia? Não poderia ter entrado uma borboleta? Além de silenciosa, é bela. Asas coloridas e formosas no lugar de pacatas asas cinzentas e derrotadas. Não há brilho. Ela nada mais é do que uma borboleta que deu errado.”

Aquieto um pouco meus pensamentos. Sinto as palavras pensadas. Escuto vozes lá da infância e dedos apontados para mim. Minhas palavras não são minhas, são um reflexo de comportamento alheio. Fui ferida, agora firo. Não quero.
Quantas vezes fui reconhecida como monstro quando eu apenas era o que era? A falta de pensamento crítico gera crueldade. O diferente assusta, mas somos todos diferentes e então somos todos afetados pelo comum. Peculiar.
Passei a vida reproduzindo contra mim mesma as frases ditas por outros. Na frente do espelho, mariposa sonhava um dia se tornar borboleta. Brilhar e ser amada, deixando para trás a vida de ser um incômodo. Elegante e silenciosa, como a sociedade espera que eu seja.
Maldição.
Tento me desculpar com a natureza, por ter feito a uma criatura tão pequena o que as pessoas fazem umas as outras o tempo todo. Repito para mim mesma, numa forma de mantra: Não somos feios, somos cheios de singularidades.

As asas agora batem numa frequência menor. Ela para e volta. Para. Volta. Está tentando encontrar uma saída mas tudo o que faz é bater de encontro com a mesma parede, no seu voo circular. Presa num looping. Rolo para lá e para cá. Não posso acreditar que isso esteja acontecendo justo hoje.
Ao fundo, vozes de um desenho que amo com toda a minha alma me distrai. Eu sei de cor cada frase. É minha cunhada que passa a madrugada assistindo e me sinto incomodada porque a realidade grita que preciso dormir, mas meu coração me deixa voar para aquele universo incrível. Fecho os olhos e vejo as cenas. Sorrio. Me perco por alguns minutos e me puxo de volta. Eu preciso dormir.
Volto a me concentrar nas asas da mariposa. Sim, ela ainda está aqui. E eu e toda a minha humanidade ainda está julgando sua existência. Como pode ela não entender que a porta do quarto está aberta e que a janela da cozinha é a saída para a sua liberdade? Outro tapa me atinge quando entendo que sou como ela, cega, tentando fugir por lugares absurdos quando a saída está bem em frente aos meus olhos. Suspiro.
Penso em desistir e levantar, escrever. Mas não posso. Não hoje.
A realidade é coisa que prende e dói, às vezes a gente quer ludibriar e fazer um encanto para ficarmos presos em nossos próprios universos mágicos, mas sabemos que há sempre um preço a ser pago. Eu sei disso.
Me canso de odiar a mariposa. Talvez ela tenha entrado pela janela apenas para me fazer pensar nessas coisas. Metade de mim acredita que a vida em si é consciente e nos afeta diretamente através de métodos estranhos em horas inconvenientes. A outra metade apenas bufa entediada, repetindo que nunca há um propósito na maneira como o universo se movimenta e que a mariposa entrou porque é o que mariposas fazem, sou eu quem dá significado as coisas.
Não importa.
Tudo isso pode ser aleatório e insignificante, mas ainda assim, me deu algo para pensar. Eu já não sou a mesma. Estou em movimento mesmo parada.
Num mundo onde de um casulo ou outro saem borboletas coloridas majestosas, almejamos alcançá-las. Mas a mariposa não é como nós. Esse é meu pensamento sobre o pensamento da mariposa. Ela não pensa, muito menos se sente inferior a algo semelhante. Talvez até mesmo a insignificância ensine e o efêmero perdure de alguma forma, cravado em nossas ideias, gerando uma nova energia para encararmos a vida de outra maneira.

Paro com todos os pensamentos acelerados e até mesmo insanos e percebo que ela não está mais aqui.
O bater de asas se foi e finalmente tenho o silêncio que preciso para descansar. Pode ser que ela nunca esteve em meu quarto. O barulho pode ser um voo desesperado de uma mariposa interior, angustiada pela tamanha falta de compreensão minha, ansiosa por uma fuga. Afago meu peito. Eu entendo agora, e minhas asas repousam em um sono tranquilo.

Document your life 07/17

Com a chegada do meu novo projeto, chegaram também algumas ideias.
Acredito que muita gente conhece o Document Your Life project, então explicando resumidamente, a ideia consiste em filmar pedaços da sua vida durante o mês. Eu decidi participar porque além de ser um tipo de vídeo que gosto muito, é uma outra forma das pessoas me encontrarem. Não sei se existe tag popular pra vídeo poema afinal!
Os DYL que costumo assistir são um pouco mais longos, mas nesse meu primeiro eu quis fazer com o tema amigos, então ficou bem curto já que eu não saio tanto. E é bom começar curto, devagar, estou treinando ainda!

Acredito no sentimento das coisas e procuro colocar o máximo de mim no que faço. Explorar novos ramos artísticos é um desafio, porém, muito inspirador. Me pego pensando em coisas que eu nunca pensaria antes e me sinto expandir de uma maneira deliciosa.
Talvez com o tempo a gente desencane do medo de falar algo, ou de se expressar de maneira diferente, não sei. Mas é um sentimento libertador esse que corre em mim no momento, me dizendo para fazer tudo o que tenho vontade ainda que não venha a dar certo. Eu devo explorar.
Acredito que algo na minha vida vem me dizendo que não posso mais me esconder. Não se escondam voces também. Eu passo tanto tempo procurando textos e vídeos autenticos e a busca é longa até achar algo. Não é legal viver nesse mundo de cópia das cópias. Quero me soltar e mostrar minha vida como realmente ela é, sem maquiagem. Quero contar minhas ideias e escrever minhas coisas sem me preocupar tanto se estou agradando ou não. Quem tiver de me encontrar, assim será. Quero identificação, conexões.
Enfim, espero que gostem do vídeo de hoje!

Por hoje é só e até a próxima dose!

Canto aflito

Levanto  e canto
A voz é presa e rouca
O sentimento é solto
A melodia é pronta

O lápis aponta
A boca se cala e sento
Penso pensamentos pesados
A mão treme ao relento

Respiro e escrevo
Tento encontrar a força
Escrevo sobre desespero
Essa coisa guardada na bolsa

Carrego pra todo lado
Fecho o ziper pra não escapar
O fecho fica cansado
E grita que quer soltar

Solta logo a dor
Deixa a lágrima sambar
O samba triste de quem escreve
Quando na verdade se quer cantar.

Novo Projeto!

Não, eu não tinha desanimado novamente. Na verdade, demorei para passar por aqui por um motivo diferente dessa vez.

Acho que não faz sentido ser triste sozinha e gostaria de expandir mais as minhas dores. Não, não quero deixar o mundo todo triste. Mas não sei vocês, quando eu leio sobre protagonistas lindas e perfeitas eu não me sinto representada. Nem me traz conforto. Eu quero encontrar mais Eds (Eu Sou o Mensageiro, Markus Zusak), mais narradores ou agora Sebastians (Clube da Luta, Chuck Palahniuk), mais Charlies (As Vantagens de Ser Invisível, Stephen Chbosky), mais Henrys (a maioria dos livros do Buk), enfim. Podemos ficar sozinhos juntos, como já dizia o Fall Out Boy. Saber que a maioria das pessoas tá na merda, muitas vezes não é negativo como parece. É uma outra forma de olhar para a própria vida e entender que não podemos parar agora. Todos esses personagens acima nos trouxeram ótimos plot twists e sei lá, acho que podemos escrever algumas linhas das nossas vidas. Nem tudo cabe a nós, mas acredito que a maioria cabe, sim.

Chega de enrolação, fiz um vídeo chamada com um poema exclusivo. Não tenho muitos recursos, então gravei com o que eu tinha mesmo e enchi de sentimento para ver se isso compensa a minha falta de dinheiro. A determinação para continuar aprendendo e aprimorando eu tenho, então me dêem um desconto nesse meu primeiro! Conto com o apoio de vocês, um comentário bacana, um like sincero. Sejam gentis!

Acredito que uma boa parte do meu incentivo foram as terríveis perdas que eu tive esse ano. Um amigo, Chris Cornell e Chester Bennington. Suicídio em todos os casos. Eu estive pelo twitter no dia que Chester morreu e tive que observar tanto comentário hipócrita sobre depressão e suicídio, que percebi que eu não poderia mais ficar calada. Eu convivo com essa doença. Eu tenho que lidar com ela todos os dias da minha vida. Dói muito perceber que as pessoas só dizem se importar quando uma perda acontece. Precisamos nos importar o tempo todo. Isso não significa forçar amizade ou relações com alguém por piedade, mas sim fazer o mínimo que se espera de um ser humano: ser gentil. E não ser gentil apenas com quem tem esse tipo de problema, mas com todos. Até porque não somos obrigados a carregar uma bandeira alertando ao restante das pessoas que somos sensíveis. Eu escrevo, logo, falo de sentimentos o tempo todo. Mas nem todo mundo é assim.

Comecei uma série de questionamentos pessoais depois disso, tentando entender que tipo de pessoa eu me tornei. Confesso não ter ficado muito feliz com o que percebi. Eu me isolei em cantos extremamente escuros do meu ser, afastando todas as pessoas que sentiam alguma vontade de se aproximar. Não posso continuar assim.
Todo mundo que me conhece, sabe que sou introvertida. Eu realmente não converso todos os dias e quando o assunto é longo, quase nunca respondo de imediato. Acordo chata vários e vários dias, mas isso é normal. É quem eu sou. Mas vou ao menos romper essa barreira que eu criei e voltar a intensificar os laços existentes na minha vida, e deixar que pessoas se aproximem também.

Eu não sou nenhuma guru de moda, nenhum exemplo de beleza a ser seguido. Não tenho mestrado em minecraft. Não sou extremamente engraçada. Logo, não posso falar sobre essas coisas.
Mas eu sei como é sentir coisas terríveis e conseguir transformar a dor em algumas palavras sublimes.
Lembrando a todos que sublime não é sinônimo de belo.
E também sou a criatura amante de filmes, animes, séries, emo e indie music, livros tristes e jogos de loucura. Estou sempre aberta a explorar esses assuntos! Hahaha.

Bom, é isso. O bar aumentou e sejam bem vindos para conhecer o novo espaço. Conto com vocês.

Por hoje é só e até a próxima dose!