paixão

Penumbra

Amargurado o canto preso em minha garganta
Que não sai em forma de notas
Mas desce com a saliva áspera
Em meio ao escuro e o clarear.

Lascívia ávida, o meu penumbrar.

A lentidão do tique taque nos corredores
Me traz remotos pavores
Que há tanto eu não queria buscar.
Busco pela teimosia
E anseio pelo pouco de dor
Que esse amor irá causar.

Passa a dor e o amor fica
Fica com essa ausência de tudo que é esse nada
Quando não tenho o sabor do seu olhar.
Tenho fome de ti, fome de seus olhos famintos
Olhar de lobo ao luar.

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Combustão

É que o corpo tem a necessidade de se apaixonar. Em determinado momento da vida, a paixão vem como borboleta e pousa em seu ombro. Enquanto o sentimento repousa, tudo em você se agita, pois essa é a ideia. Te tirar o conforto, te arrancar suspiros e te dar agulhadas cheias daquela dor irritante que você reclama, porém solta gemidos, implorando por mais uma dose. Esse pousar da paixão é o derramar de adrenalina, e se não houver uma isca perto para ser abocanhada por esse torpor, você irá se apaixonar pelo nada. Será condenada a ouvir músicas românticas e em cada uma delas imaginar um rosto diferente e desconhecido. Irá dançar sozinha de frente para o espelho, imaginando que passos daria a outra pessoa, se ela estivesse ali. Irá deitar e chorar segurando o peito que arde em chamas, como se tivesse sido rejeitada por alguém. Irá se sentir cheia e vazia o tempo todo. Cheia desse combustível que é a paixão, mas ter de encarar o fato de que não há veículo para te levar a lugar algum.