Fight Club!

Retirado do meu diário, dia 03/05/2017

Buk
Bukowski
Charles Bukowski
Alemão
Só que americano
Henry
Henry Chinaski
Entregador de cartas
Um merda
Safado
Bêbado
E escrevia pra caralho
Porque não tinha o que fazer
Porque amava
Porque queria
Porque achava uma merda ser escravo também.

Temos muito em comum, exceto o fator que eu sou uma merda pra escrever qualquer coisa. E EU NÃO SEI PORQUE!
Charles, você é meu Tyler da vez. Eu preciso da sua força, do seu amor, da sua coragem, do seu foda-se (principalmente do seu foda-se), da sua genialidade, da sua simplicidade, da sua sinceridade, da sua agilidade. Eu não posso continuar sendo eu até meu eu foda chegar, porque meu eu atual me dá vontade de me matar.
Eu não entendo que porra minha cabeça entende da vida. Eu não sei porque complicar tanto as coisas, porque odiar tanto as coisas, porque odiar ter que fazer coisas.
Na verdade eu sei, e é porque eu acho a vida totalmente ridícula e inútil, mas eu tô de saco cheio de achar isso. Não dá mais pra respirar assim, com esse peso.
Ontem eu estava determinada, ou fingindo que estava, isso é bem mais provável. Mas a verdade é que não dá. Me sinto amarrada vendo minha vida virar merda e ser incapaz de fazer algo pra impedir, pra mudar. Eu culpo essa desgraça de doença por isso. Eu culpo sim.
O Ayrton disse que o psicólogo não vai querer me convencer de que a vida é boa, porque ele estuda a mente humana e sabe que tudo é uma bosta. Então pra quê eu vou ir lá? Se ele sabe que é tudo fodido, vai dizer “só viva aí nessa merda e fique de boa”? Qual o propósito?
Se todo mundo descobrir que nada adianta pra nada, todo mundo morre e fim. Porque é tão ruim?
É só pra não falir o sistema.
“SEJA FELIZ, CONTINUE PRODUZINDO! HAHAHA”
Meu cu.
Tô cansada de produzir, ou tentar.
Não aguento acordar e entender que eu tenho a merda de um emprego, que eu preciso de dinheiro pra coisas que sou obrigada a fazer e pra pagar um monte de coisa que eu quero ter porque acredito que tendo elas eu serei mais bonita.
Eu tenho pensamentos egoístas e não amo quase nada nem ninguém no mundo. Que tipo de ser é esse? Todo mundo é assim mas fica se fazendo ou eu sou doente e escrota mesmo?
É ridículo, mas sigo sentindo inveja de todo mundo que ama fazer alguma coisa, seja lá o que for. Que ama tanto, que tá cheio de coisa pra fazer e sorri porque sabe que está no caminho certo.
Eu só quero dinheiro pra sentar o rabo nos melhores cafés e restaurantes, assistir filmes e viajar. Viajar só eu e Rodrigo, não pra conhecer pessoas, estou cansada delas. Quero jogar conversa fora e transar, admirar as paisagens, artes, shows. Sem obrigações. Sem as porras das obrigações.
Dizem que é impossível ser feliz fugindo das responsabilidades, mas eu tô cheia delas no momento e tô um caco. Essa história foi inventada pra que as pessoas se sintam importantes e então, amem a vida.
É tudo masturbação no final, como diz um amigo. Não passa disso. A minha diferença é que eu assumo isso e não invento desculpas pra maquiar. Eu só quero o gozo.
E se mesmo assim, eu ainda achar tudo ridiculamente estúpido, posso morrer. Morrer na glória.

Não tive a reunião ontem, foi cancelada. Mas vou me encontrar com a Marina na sexta e espero do fundo do meu coração que eu seja capaz de fazer alguma coisa. Pensei em desistir, mas não quero, não quero ficar no e se? Eu quero querer alguma coisa, isso conta como primeiro passo?
Quero relatar aqui também que eu odeio tecnologia. Eu odeio, já cheguei a essa conclusão faz tempo, mas nunca registrei em algum lugar.
Se eu não tivesse passado tanto tempo da minha vida admirando a vida dos outros, vasculhando, invejando, talvez eu tivesse encontrado o amor próprio que eu tanto procuro. Se eu não ficasse exposta a tantas pessoas fortes e criativas eu não iria olhar pra mim com desprezo e me achar merda, fraca e abandonada. Não ia querer morrer tanto assim.
Eu sei disso à alguns meses, mas essa merda toda é mais forte que eu, ou ao menos tem sido. Eu não quero deletar minhas contas por isso significar uma outra derrota, mas talvez, só talvez, se eu abandonar essa luta e aceitar perder, eu possa ganhar uma outra.
Não custa tentar.

Eu estava procurando pincéis quando encontrei esse diário do primeiro semestre do ano de 2017 jogado entre as coisas. Abri e caiu nessa página. Achei interessante compartilhar algumas loucuras bem pessoais minhas, não sei bem porque. Talvez eu esteja cansada de me sentir um monstro e sozinha. Não resolve nada se na verdade eu realmente for um monstro, mas ao menos agora vocês podem se proteger, se quiserem. Hahaha. 

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6 comentários

  1. acho que não há algo mais horrível na minha relação comigo mesma do que a minha quase constante incapacidade de ir atrás do que desejo, do que eu amo, do que eu sei que me faz bem. eu fico presa nessa eu fraca, enquanto uma eu futura que eu admiro de verdade fica cada vez mais longe. eu te entendo muito! há um mês mais ou menos eu passei uma semana inteira deitada e chorando, sem saber o porquê. depois disso eu resolvi que era hora de fazer alguma coisa ou o buraco só iria ficar mais fundo, então comecei a ir na biblioteca de tarde, pra ao menos tentar ser mais produtiva e cansar meu corpo e minha cabeça um pouco mais, pra dar menos tempo de pensar tanto. tem me ajudado, assim como dar atenção as pequenas coisas que me fazem bem. como o céu ou música. eu me achava idiota de romantizar tanto essas coisas, mas tenho percebido que não devo ligar pra isso, que o que o mundo acha importante ou idiota não me interessa, que sou que vivo ma minha mente mesmo…
    enfim, talvez eu até escreva sobre isso, assim não te encho de pensamentos inúteis hahaha

    um beijo, mel. fica bem ❤️

    Curtido por 1 pessoa

    1. Sim! Eu tenho pensado muito sobre isso, começo a questionar se eu tô realmente tentando, sabe. Sou tão medrosa, sempre pensando nas quedas, que eu acho que nunca realmente tento. Se minhas falhas de tentativas pequenas já doem, se eu me esforçar demais e falhar, a dor vai ser o dobro pior. Aí fico sendo razoável, sem perseguir o foda. É como se a gente criasse uma entidade divina de nós mesmos, paramos para sonhar com essa entidade, a vida que ela leva, as coisas que conquista e ficamos só aí, nessa admiração. Enterramos a ideia de superar os deuses, e às vezes acho que isso é negativo.
      Se ocupar numa biblioteca é uma coisa ótima, além de sair um pouco dos problemas você tá adquirido mais conhecimento, não é só uma fuga banal. E música tem o poder de nos fazer viajar pra dentro de nós mesmos, então também é conhecimento, leveza. Essas coisas não são idiotas, e se você tem convivido com gente que pensa assim, com certeza não são as melhores pessoas, sabe. Acho que a gente morre por dentro quando não sabemos mais admirar o céu, a natureza em si.
      Seus pensamentos não foram nem um pouco inúteis, me deu muita coisa pra pensar! Mas com certeza recomendo escrever sobre, desenvolver mais esse sentimento que te consome e assim aliviar um pouco compartilhando com a gente que te ama!

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