sentimentos inexplicáveis

Vamos falar sobre música?

Taí algo que eu consigo amar mais do que livros e que nunca escrevi sobre.

Já virou clichê dizer que música é como oxigênio, mas tenho algumas histórias pra contar, como a vez em que eu estava sentindo um vazio terrível, cuja origem eu desconhecia. Matei aula na faculdade, fui para casa, liguei o som alto e cantei com toda a força dos meus pulmões. E então, como um passe de mágica, o que estava vazio se encheu.
Como eu acordava cedo para trabalhar e ia direto do trabalho para a aula, eu quase não tinha tempo para cantar. Não que eu cante bem, muito pelo contrário acredito eu hahaha, mas a questão não é cantar por achar que canto bem ou deixar de cantar por cantar mal. Cantar é realmente um exercício para a alma. Então, acabou me fazendo falta. Quem gosta da música espalhada pelos quatro cantos da casa sabe bem que só fones de ouvido não proporcionam a mesma emoção, muito necessária em momentos como esse pelo qual eu passei.

Mas não é sobre cantar que eu quero falar hoje, e sim, sobre sentir os instrumentos. Sentir os sons, falar um pouco do que penso sobre a relação música&corpo.
Esses dias, ouvindo uma das minhas músicas preferidas do Oasis, reparei que cada instrumento eu sinto em determinada parte do corpo. A guitarra base eu sinto correndo na horizontal, de um braço para o outro. A guitarra solo (quando ela existe) sinto passeando na vertical, começa bem forte na cabeça e nuca, aos poucos vai descendo até o estômago. O baixo é espantoso, sinto ele muito forte na garganta. Cada dumdumdum. A bateria, ah! Ela é mágica. Sinto nas mãos, pés e pernas, fisgadas no cérebro, e o bumbo sempre no coração. E o vocal? Pra mim é pura energia. Sinto a voz, as palavras, dançando ao meu redor, me energizando.
Agora fique à vontade para dar play, fechar os olhos e tentar sentir tudo junto. Bora?

Claro que música é diferente para cada um e é improvável que alguém sinta a Supersonic como eu sinto. Se eu fechar os olhos, consigo claramente me ver vagando pelo espaço e não só isso, me sentindo pura energia cósmica, hahaha. Então, fica aí como indicação de música, caso você nunca tenha parado para ouvir Oasis. O instrumental é incrível, mas acho que o destaque da banda sempre acaba sendo as letras. O Noel Gallagher é meu compositor favorito, juro!
Todos sabem que Oasis não é nenhuma novidade, mas dificilmente eu terei bandas super atuais para mostrar, já que nem tenho mais tanto tempo para dar uma de ~antenada~.

Mas aproveitando que eu comentei sobre sentir o baixo na garganta também deixo mais essa música aqui, de uma banda maravilhosa (e mais atual) que ando ouvindo MUITO, ultimamente. O final lento tem um destaque especial para mim, graças ao baixo de presença incrível, e o engraçado é que ao menos nessa música parece que o som dele fica mais forte quando escuto com fones de ouvido.

Sinto uma vontade incontrolável de voar nua pelo céu com The Neighbourhood!
Uma coisa sobre mim é que costumo descrever minhas sensações musicais de maneira assim, mais diferente. Geralmente sou muito sinestésica, e também, gosto de fazer lista de reprodução para coisas e momentos aleatórios.
Ex: Músicas para céu azul, céu azul com nuvens, ruas com flores caindo das árvores, para quando estou usando jaqueta jeans, para andar flutuando, para imaginar prédios explodindo (olá Where Is My Mind? ), músicas ótimas para observar carros passando, músicas específicas para as ruas de Curitiba, músicas específicas para as ruas de SP e por aí vai.

Vocês poderão ver mais disso em um dos meus livros, assim que eu tiver tempo/força/sorte para dar continuidade nele, hahaha. Espero que tenham gostado das músicas, e aceito sugestões de bandas, sempre!

Quer mais música? Coloque uma ficha na jukebox, e nos encontramos na mesa do bar para a próxima dose!

Estou aqui, ali e em todo lugar

Ela sabia que tinha que fazer, mas não fazia. Ela queria fazer e tinha tempo para isso, mas algo simplesmente a segurava. Ela se contorcia e dizia que sim, iria fazer hoje. Agora.
Sem demora, essa coisa inominável que sou surgiu, e de repente pareceu estar muito calor para se concentrar. Ela precisou levantar para tomar água e para ligar o ventilador. Depois disso, tudo deveria estar certo, mas ela encarava o monitor com desdém e toda vez que seus dedos pensavam sobre a possibilidade de começar a digitar, um raio de pensamento idiota aparecia. Implantado por mim, claro.
“ Diabos, porque não consigo me concentrar? Porque não consigo fazer? É como se eu quisesse, mas ao mesmo tempo não. Vou assistir um pouco e depois tento novamente. ”
Caminhando em direção ao quarto, a garota soltava aquela baforada com aroma de derrota, mesmo sem ter começado a tentar. Se jogava na cama, assistia um ou dois episódios de qualquer coisa e depois abria o documento em branco novamente. Mas e aquela matéria que ela esqueceu de terminar de ler? E aquela pessoa que ela queria stalkear no Facebook? E o Instagram que nem tinha sido aberto há duas horas? Ela tinha muito para fazer, avisei a ela. Escrever podia esperar. Ela nem estava tão inspirada assim. Porque não jogar horas da vida fora fingindo que se faz muito quando nada está feito? Porque não se destruir com comparativos entre si mesma e o resto do mundo? Porque não enjoar de todas suas coisas? Porque não achar que tudo que não é seu é mais bonito? O que é bonito? Você que não é.
E esse é meu trabalho, não preciso ter nome, preciso apenas existir. Faço as pessoas vagarem por aí nesse mundão virtual e esquecerem dos que as cercam. Faço elas desejarem curtidas no Facebook com seus posts cheios de ódio ou vulgaridade. Faço elas sonharem com o dia em que serão lindas como as garotas do Instagram. Esvazio qualquer possibilidade de atividade construtiva nessas mentes atordoadas que desejam brilhar.
Como me deter? Não irei contar. Mas eu sei que no fundo, não há quem queira se livrar de mim. Sou justificável para suas fraquezas e falhas. E quem não gosta de uma boa desculpa, não é mesmo?