amigos perdidos

Novo Projeto!

Não, eu não tinha desanimado novamente. Na verdade, demorei para passar por aqui por um motivo diferente dessa vez.

Acho que não faz sentido ser triste sozinha e gostaria de expandir mais as minhas dores. Não, não quero deixar o mundo todo triste. Mas não sei vocês, quando eu leio sobre protagonistas lindas e perfeitas eu não me sinto representada. Nem me traz conforto. Eu quero encontrar mais Eds (Eu Sou o Mensageiro, Markus Zusak), mais narradores ou agora Sebastians (Clube da Luta, Chuck Palahniuk), mais Charlies (As Vantagens de Ser Invisível, Stephen Chbosky), mais Henrys (a maioria dos livros do Buk), enfim. Podemos ficar sozinhos juntos, como já dizia o Fall Out Boy. Saber que a maioria das pessoas tá na merda, muitas vezes não é negativo como parece. É uma outra forma de olhar para a própria vida e entender que não podemos parar agora. Todos esses personagens acima nos trouxeram ótimos plot twists e sei lá, acho que podemos escrever algumas linhas das nossas vidas. Nem tudo cabe a nós, mas acredito que a maioria cabe, sim.

Chega de enrolação, fiz um vídeo chamada com um poema exclusivo. Não tenho muitos recursos, então gravei com o que eu tinha mesmo e enchi de sentimento para ver se isso compensa a minha falta de dinheiro. A determinação para continuar aprendendo e aprimorando eu tenho, então me dêem um desconto nesse meu primeiro! Conto com o apoio de vocês, um comentário bacana, um like sincero. Sejam gentis!

Acredito que uma boa parte do meu incentivo foram as terríveis perdas que eu tive esse ano. Um amigo, Chris Cornell e Chester Bennington. Suicídio em todos os casos. Eu estive pelo twitter no dia que Chester morreu e tive que observar tanto comentário hipócrita sobre depressão e suicídio, que percebi que eu não poderia mais ficar calada. Eu convivo com essa doença. Eu tenho que lidar com ela todos os dias da minha vida. Dói muito perceber que as pessoas só dizem se importar quando uma perda acontece. Precisamos nos importar o tempo todo. Isso não significa forçar amizade ou relações com alguém por piedade, mas sim fazer o mínimo que se espera de um ser humano: ser gentil. E não ser gentil apenas com quem tem esse tipo de problema, mas com todos. Até porque não somos obrigados a carregar uma bandeira alertando ao restante das pessoas que somos sensíveis. Eu escrevo, logo, falo de sentimentos o tempo todo. Mas nem todo mundo é assim.

Comecei uma série de questionamentos pessoais depois disso, tentando entender que tipo de pessoa eu me tornei. Confesso não ter ficado muito feliz com o que percebi. Eu me isolei em cantos extremamente escuros do meu ser, afastando todas as pessoas que sentiam alguma vontade de se aproximar. Não posso continuar assim.
Todo mundo que me conhece, sabe que sou introvertida. Eu realmente não converso todos os dias e quando o assunto é longo, quase nunca respondo de imediato. Acordo chata vários e vários dias, mas isso é normal. É quem eu sou. Mas vou ao menos romper essa barreira que eu criei e voltar a intensificar os laços existentes na minha vida, e deixar que pessoas se aproximem também.

Eu não sou nenhuma guru de moda, nenhum exemplo de beleza a ser seguido. Não tenho mestrado em minecraft. Não sou extremamente engraçada. Logo, não posso falar sobre essas coisas.
Mas eu sei como é sentir coisas terríveis e conseguir transformar a dor em algumas palavras sublimes.
Lembrando a todos que sublime não é sinônimo de belo.
E também sou a criatura amante de filmes, animes, séries, emo e indie music, livros tristes e jogos de loucura. Estou sempre aberta a explorar esses assuntos! Hahaha.

Bom, é isso. O bar aumentou e sejam bem vindos para conhecer o novo espaço. Conto com vocês.

Por hoje é só e até a próxima dose!

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Destinatário: ____

São Paulo, 13 de setembro de 2016

Hoje eu pensei em você.
Ontem também, mas hoje foi mais forte. Eu queria poder te ver.
Hoje eu preciso de coisas estáveis e rotineiras, se eu fosse te encontrar saberia exatamente o que iria acontecer. Você sempre foi previsível. Sempre, e isso te irritava demais. Eu previa tudo o que você ia sentir, falar, fazer e isso te transtornava. Mas fatos são fatos, e eu os tinha sobre você.
Há também outros fatos. Você foi um grande amigo, bom ouvinte e ótimo companheiro. Hoje, na mesa do bar sozinha, desacompanhada até mesmo da boa e velha cerveja, meus olhos varreram o salão na busca dos seus. Olhos pequenos, fechados e amigos. Não encontrei.
Tenho as memórias de você em mim, todas inteiras e intactas. E por isso me recuso a voltar ao passado. As memórias boas me confortam, mas as ruins são péssimas e doem demais.
Eu queria que essa carta chegasse a você, apesar de não querer que minhas palavras te machuquem. Talvez eu rasgue. Talvez os ventos que envio te contem quando se chocarem contra as costas da sua montanha. Meu voo não alça mais e nunca fui fã de escaladas, apenas para que você saiba. Sinto sua falta, sinto mesmo. Sinto muito, mas vou caminhando e não tenho hora para voltar.
Acho que eu só queria que soubesse que nunca houve alguém tão desfiltrado quanto você, e por isso houve um fim. Melhores conversas, risadas intensas, assuntos absurdos, comentários aleatórios, dores devastadoras. Sem filtro. Sem pudor. Estilhaços e socos espalhados em meio ao gosto amargo de todas as cervejas tomadas. Espelhos quebrados, realidade distorcida, palavras cortantes até mais que a navalha que muitas vezes cobiçamos e almejamos para o fim. Fomos nós. Clube da Luta sem sabão, sem revolução. Apenas o misto de amor e dor.
Sei que sempre pensou o pior de mim e que com o tempo isso apenas se agravou, mas deixo o lembrete de que vasos ruins não quebram. Quanto a mim, sou destroços. Os socos no estômago são os piores, e eles sempre voltam. Eu não.

Ps. Estou juntando o que te devo. São tempos difíceis, pra não dizer impossíveis. Mas que fique dito que quito minhas dívidas. Menos a com o demônio.

 

Um abraço amigo,
por mais frio que pareça.