Introversão crônica

Estranho o sentimento de ainda me surpreender com quem eu realmente sou. Lembro da infância, eu sempre estava rodeada de crianças, tinha vários amigos, e quando chegava vizinho novo na rua eu era a primeira a ir puxar um assunto. Hoje, me deparei com esse ser completamente diferente que sou. Dificilmente me interesso em fazer amizades e na verdade, mal tenho conseguido manter as de sempre. Gosto de silêncio. Gosto da organização, da minha cama, chás, boa música e a companhia da única pessoa que eu nunca estou enjoada no mundo. Raramente sinto vontade de sair de casa. Sou outra pessoa mesmo, e aí me pergunto onde é que o meu eu da infância foi parar.
Nesse mundo cheio de tecnologias, podemos ter nossas dúvidas sanadas rapidamente, manter várias conversas ao mesmo tempo e me aproveitando disso, vira e mexe estou tentando ser uma pessoa ~popular~ . Mas no meio dessa loucura toda eu percebo que não me adaptei e talvez eu nunca vá.
Acho legal o fato da maioria das pessoas que eu conheço conhecerem várias pessoas pessoalmente e virtualmente, conseguirem manter conversa com todas elas no Whatsapp, serem populares na internet e ter uma vida badalada fora dela. Eu tenho meus amigos, virtuais ou não, e amo todos eles. Só que sinto que não estou adaptada a essa coisa de várias coisas ao mesmo tempo. Eu gosto de saborear uma coisa de cada vez. Aproveitar cada conversinha, estar entregue a ela. Eu não converso com meus amigos todos os dias e por isso quando estou conversando com um alguém, geralmente é só com esse alguém mesmo. No máximo, consigo manter um diálogo interessante com umas duas pessoas, eu acho. E há também esse fato “recém” descoberto de eu ser introspectiva. Eu sou meio assim sempre, mas há também as fases de introspecção, e elas são longas.
As pessoas me veem por aí curtindo e compartilhando coisas, mas nunca estou falando com alguém e sempre tem um amiguinho no vácuo em alguma rede social. Não é não gostar das pessoas ou não saber ter amigos. A verdade é que converso muito comigo mesma. Sempre tenho aqueles dias em que quero chegar em casa, colocar meu pijama, jogar no celular, ver vídeos, aprender alguma coisa, mudar minha ideia a respeito de algo, ou apenas ouvir música E SÓ OUVIR MÚSICA MESMO, porque é um momento sagrado pra mim. Uma das coisas que mais detesto é quando estou no meu mundo, sentindo os instrumentos, inserida na letra e alguém vem falar comigo. Pauso a música. Fico chateada. Fico mesmo, odeio conversar ouvindo música. É chatice minha, eu sei, mas acredito que todos os individualistas perdidos por aí vão concordar que todos nós temos alguma chatice do tipo. Não sei se ser filha única tem influência nisso, talvez.
Mas não tento mudar, nem quero. Gosto de ser assim. Mas talvez um dia eu mude, afinal, se surpreender com quem somos é algo que nunca irá parar. Quando achamos que nos conhecemos completamente, mudamos, e então temos que nos conhecer novamente. Não há uma idade, uma fase da vida em que seremos definitivamente algo ou que nossa construção de nós mesmos estará completa, porque os upgrades são feitos diariamente, e pelo resto de nossas vidas.

tumblr_n3oawfvUJo1tvxe90o1_500

DARIA

Por hoje é só, e até a próxima dose!

Anúncios

6 comentários

  1. AMEI seu texto. Acredito que o fato de ser introspectiva não esteja tão relacionado a ser filha única, pois sou a irmã mais velha entre três e nos últimos tempos tenho exatamente as mesmas manias a qual descreveu. Tenho a impressão que isso vem dos grandes encontros existenciais que tenho comigo mesma, nada melhor do que conversarmos com nós mesmos para aprender a lidar e se encaixar em algum lugar do mundo ❤

    Curtido por 1 pessoa

    1. Obrigada! Realmente, foi um palpite apenas, mas não há como apenas filhos únicos serem introspectivos né. Mas faz sentido que uma filha mais velha seja, por alguma razão. Eu não sei. As vezes essa coisa me atrapalha um pouco quando sinto que preciso conhecer pessoas e sinto aquela vontade de ser menos assim ou não ser. Mas cara, também existe cada situação que eu passo que só contorno justamente por ser dessa forma… Cada epifania, cada jeitinho de entender o mundo a nossa volta que essas conversas com nosso interior nos proporciona não é mesmo? Acabo achando que não vale a pena eu querer ser diferente. Enfim, me empolguei ahjdhsdham.

      Beijo!

      Curtido por 1 pessoa

    1. Ah, sinto sim! É sempre aquele questionamento chato do porque não queremos sair, acompanhado de “nossa, como vc é velha”. As vezes acho que é essa coisa de escrever que acaba puxando muitos de nós pra esse caminho mais solitário, andei pensando nisso essa semana.
      Beijos! ❤

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s