Frustração pós criação: Engavetando e engavetada.

Hoje eu vim explicar melhor algo que mencionei no meu primeiro post, sobre criar personagens e acabar abandonando eles. Caso se interesse, é nesse link aqui que eu conto um pouco da minha história.

Já aviso que se você sofre do mesmo problema que eu, esse post só irá servir para te deixar mais tranquilo por saber que não está sozinho, porque a solução meu caro, eu ainda não encontrei.

Eu sofro daquele probleminha chamado ansiedade e acho que tem mais alguma coisa que vem junto de brinde, talvez seja essa palavra da imagem, pois não é possível eu ser desse jeito só por ser ansiosa. Já conheci outras pessoas que tem o mesmo mal e que conseguem lidar bem, conseguem escrever, desenhar, investir em qualquer outro tipo de criação. Logo, fico achando que não pode ser só esse o meu obstáculo para concluir as coisas. Mas dito isso, vamos discutir sobre essa frustração.
Eu tinha decidido criar um livro em 2011 e por diversos motivos eu abandonei a ideia pela metade. Até hoje eu fico com um sentimento ruim de que os personagens estão criados e abandonados, e por isso a vida deles não vai pra frente. Por minha culpa. Não sei se é porque eu li o maravilhoso livro A Bolsa Amarela da autora Lygia Bojunga uma centena de vezes, mas acabo sempre acreditando nisso. Eu lembro dos personagens antigos com um carinho misturado com frustração, como se fossem amigos de infância que eu acabei perdendo o contato, e fico imaginando que rumo eles deram para suas respectivas vidas. Soa estranho, eu sei. Eu nunca neguei ser maluca, afinal.
Mas a questão é que não achei que eu iria sentir isso de novo. Eu estava decidida até ano passado a não abandonar meus dois atuais projetos, não que eu queira abandoná-los agora, mas sempre que penso em escrevê-los me vem uma onda de pessimismo do além. As minhas pernas mentais ficam andando em volta das ideias por horas e horas e não vejo saída, não vejo conclusão, não vejo desenvolvimento. Fico angustiada de pensar na história por não me sentir criativa o suficiente para dar a devida sequencia. Meus pensamentos me sabotam sempre, meu medo de falhar acaba se tornando maior do que a minha curiosidade de descobrir o que aconteceria se eu tentasse pra valer. Todo aquele caminho árduo que qualquer um de nós que queira publicar um livro  sabe que tem que ser percorrido me assusta demais. Todos os possíveis nãos antes de um resplendoroso sim, todas as modificações que os editores sempre querem fazer nos livros. A pessoa que sou me faz pensar sempre que não sou forte o suficiente para aguentar tudo isso.
Hoje em dia, no meio de tantas redes sociais, as pessoas descolaram outros meios. Para a galera que tem um canal famoso e é adorado por todos os novinhos e novinhas, se tornou piece of cake publicar um livro. Eu ando vendo tanto isso quando vou em livrarias e sinto muito em dizer, mas não sei como não ficar mal. Vendo como todo o caminho árduo se transforma em trilha de flores para alguns, fica bem complicado arrumar forças para não desistir. Não estou dizendo aqui que ter um canal famoso é fácil e que eles não ralaram, não me entendam mal. Essa foi a luta deles, no momento estou falando da luta para publicar um livro.
Mas esse é outro tópico, acredito eu. O problema maior é deixar de se identificar com os personagens, ou no meio da brainstorm, criar algo ou alguém tão legal que faça você se sentir incapaz de dar continuidade na construção da história no mesmo ritmo empolgante. Quem disse que escrever é fácil? Quem? É coisa de louco, eu heim.
Sorte que a loucura que habita em mim me faz pensar várias vezes antes de desistir. Não sei ainda como lidar com esse probleminha com os personagens, se caso alguém souber como me ajudar, aceito sugestões. Talvez beber e escrever como eu fazia antigamente seja uma boa resposta, se todo o meu problema vem de pensar demais.

Mas agora, tenho uma teoriazinha boba sobre a questão toda.

Se sentir como um deus no momento da criação de qualquer coisa, acredito que seja normal. O que  fico pensando mesmo, é na hipótese de uma entidade divina existir. Tenho pra mim que se existe, essa entidade sofre do mesmo mal que nós, criadores.
Já pensou? Um deus aleatório e por azar, escritor. Decidiu fazer mais um livro, de muitos que ele já concluiu. A protagonista desse sou eu. No começo prometo muito como personagem, mas em um dado momento o escritor enjoa de mim ou não sabe o que fazer com a minha história. E aí ele simplesmente deixa lá, na gaveta. E a história da minha vida fica aqui, enguiçando. Pior ainda, se na história eu era uma escritora também e bem no momento em que decido escrever um livro o tal deus me joga na gaveta. Minha história, minha vida, eu, todos engavetados.

É claro que isso é apenas eu querendo culpar uma entidade divina, que eu nem acredito que exista, pelas coisas que acontecem (ou não acontecem) na minha vida. E sorte que sou realista demais para cogitar levar uma teoria dessa a sério. Mas né, não vamos excluir nenhuma possibilidade.

Por hoje é só, e até a próxima dose!

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3 comentários

  1. Mel, AMEI esse texto! Uma coisa eu sei: você tem o talento e o espírito pra escrita! Mas também sei que não é fácil, que é difícil entender o porque da falta de motivação diante de algo que se ama!!
    Semana passada encontrei essa palestra aqui: https://www.ted.com/talks/elizabeth_gilbert_on_genius?language=pt-br Fala sobre o processo criativo. Dá uma olhada, achei muito bacana.
    E já anotei aqui pra ler, A Bolsa Amarela 😉
    Um beijo! Quando você publicar o seu livro daqui uns anos tenta me avisar! Hahaha

    Curtido por 1 pessoa

    1. Olá, querida! Eu estava esperando aparecer um tempinho para ver a palestra antes de responder e acabei de ver, é sensacional. Sério, eu adoro encontrar essas coisinhas de escritores onde a gente percebe que é normal, que todo escritor tem esses problemas e que não estamos sós. Se eles conseguem contornar, a gente também pode, basta achar o nosso modo de fazer isso. Fico muito grata pelo seu elogio, e pode deixar que eu começo as divulgações quando eu terminar um dos meus livros, haha.
      Quanto ao livro A Bolsa Amarela, ele é infanto-juvenil, mas é aquele tipo de história que não importa o público alvo, vai trazer algo pra pensar, algo positivo, estilo O Pequeno Príncipe. Espero que goste, é bem divertido.

      Agradeço a atenção, compreensão e indicação! Um abraço bem forte e doce!

      Curtido por 1 pessoa

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