Lovesick

Há quem diga que não dá pra morrer de amor. Mas e a vontade de morrer, conta?
Amor, o inquestionável. O egoísta e o altruísta. O submisso e o controlador. A corda bamba. A fonte de força e fraqueza, a cura e a doença.
Eu quero morrer. Quero morrer porque amo demais o amor que me faz viver. Vivo para esse amor que me mata, sou derrubada pelo que me levanta, e dói. Eu me bato às vezes para trocar a dor de lugar. Para tentar fazer a minha cabeça entender. Ela não entende. Eu entendo porque ela não entende, e ao mesmo tempo não.
É possível amar tanto a ponto de querer morrer? Sim, eu estou doente, não se importe, por favor.
Eu sinto vontade de deixá-lo agora. Sinto vontade de deixá-lo pois o amor é tão grande em mim que parece que vai explodir e destruir tudo, e eu só queria construir. Eu só queria construir coisas belas para ele, ao redor dele. Mas eu sou destruição. Eu destruo e eu não confio, eu entrego e não sinto receber de volta. Eu vivo num conto mágico onde só eu estou sonhando e não consigo ver. Eu não consigo ver o que ele vê. Eu quero. Me deixe ver. O que eu vejo em sua visão é raso, é passageiro. Não quero ver. Nos meus olhos não há desvantagens, não há erros, não há. Há amor, e por ele somente. Só mente. É o que eu penso quando ele diz o mesmo. Não confio, não há possibilidade dele me amar como eu amo. É o que eu vejo, me desculpe.
Eu queria arrancar aquele par de olhos verde acinzentado e ver através deles. O que ele vê em mim? Como posso confiar sem ver? Como? É como acreditar em Deus. Como ele consegue? Ele vê? Porque não vejo? Meus olhos estão com problemas.
Meus olhos são como o mar, e eu mesma velejo nele, perdida.
Eu gostaria de conseguir ser controlada e não deixar tão óbvio meu amor. Talvez ele entenderia como a insegurança dói. Mas porque sou tão óbvia? Porque tão descontrolada? Eu queria esconder e conseguir ser fria, ou ao menos conseguir fingir. Ele pensa que sou louca, sou negativa, e eu sou! Mas eu o amo tanto!
Que aflição.
Eu queria ser como ele, eu apenas queria ser como ele, mas estou fadada a ser esse eu, o eu tão insuportável até para mim. Eu planejo mil formas de ser menos óbvia, mas ao amanhecer, a respiração dele me faz sorrir. Os seus batimentos cardíacos se tornam minha música favorita. À tarde, quando ouço o barulho do portão, meu coração não deixa de acelerar pela alegria de tê-lo de volta. À noite, poder dormir em seus braços me faz esquecer do resto do mundo. Ninguém é tão legal quanto ele. Ninguém é tão lindo. Ninguém é tão inteligente. Ninguém é tão ele. Ninguém é tão besta quanto eu. QUE ÓDIO. Eu me odeio cada dia mais por ser assim, toda sentimento.
É nessas horas que quero deixá-lo. Eu o amo demais, e um pedaço enorme da minha mente me faz acreditar que nunca serei amada da mesma forma, então posso partir. Mas eu nunca me vou, pois, um pequeno lado insiste em dizer que sou importante e amada. Eu sorrio. Mas e se for mentira? Eu nunca vou saber.
O que é real conseguimos ver até no escuro. Eu continuo repetindo isso cada vez mais para dentro de mim. O que é real conseguimos ver até no escuro.
É nessas horas que eu quero viver. Viver ao lado dele e dar tudo o que outras pessoas não puderam, porque ele é tão incrível! Eu descarto a possibilidade de morrer, pois, um lado de mim acredita que isso o faria triste e eu não quero mais gerar tristeza para a vida dele.
É nessas horas que eu quero morrer. Seria um alívio para ele. Seria como suspirar ao acordar de um pesadelo. Seria como tirar a mochila pesada das costas. Seria como descer do metrô. A sombra negra desapareceria e voilà, ele teria sua vida normal. E eu choro.
Mas quando as luzes se apagam, o que resta são nossos corpos. Dois corpos juntos e abraçados e duas almas entrelaçadas pelas dores de cada dia, se curando, se amando. Resta as mãos dadas e bocas ofegantes. No escuro, resta nós.
Eu planejo minha morte quase todos os dias. Mas a verdade é que já estou morta. Morri de amor.

yeah

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