Rabiscos comuns

Letras tortas
– não torta doce, pois tudo que sai de minhas mãos é azedo –
Tardes em frente de telas, de luzes, de janelas
Janelas que dão em um mundo paralelo
Que me fez esquecer como é escrever com a caneta na mão
E como é a textura do papel.

Rabiscos bonitos não existem.
São apenas rabiscos e não adianta enfeitar.

Tento passar a tarde a ferro
Para desamassar as rugas que aparecem a todo segundo.
A cidade está velha e cansada sob o sol
Sob a chuva
Sob o suor
Sob a possibilidade remota da existência de uma criatura divina.

Pessoas que atravessam as ruas
Pessoas que não atravessam as ruas
Pessoas que param nas ruas
Pessoas sob o mesmo céu
Pessoas que caminham pelo mesmo chão
Pessoas que vem e vão
Pessoas que são ou não
Pessoas do mundo
Do tempo abafado
Cidade de São Paulo.

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