Rabiscamente

Rabiscada mente, rabiscos da mente, rabiscadamente.
Pra variar, ainda caio nos braços das sombras que não permitem que eu faça algo. Ainda me deixo levar pelas vozes – aquelas sinistras – que apontam a derrota em meus caminhos. No meio da confusão, fico pensando: porque ainda sou o mesmo ser fraco de alguns meses atrás? Porque essas vozes me afetam tanto? Eu não sei, eu juro.
Mas na última semana andei pensando no porquê de eu ter parado de desenhar, ou de ao menos tentar. Com base nas minhas lembranças tristes e do que conheço sobre minha pessoa, percebi que parei pelo mesmo motivo que paro tudo em minha vida.
Começo despretensiosamente, como um hobby. Rabisco aqui, rabisco ali, e nem sequer uso borracha, pois não estou tentando fazer nada perfeito. É pra passar o tempo, é pra resgatar algo perdido. Com o passar dos dias o porquê já muda. É pra ver o que pode sair de mim, é pra crer. É pra tentar fazer melhor. Isso faz com que a onda de perfeccionismo que reside em mim avance e devaste tudo. Em poucas tentativas e erros já estou convicta de que não nasci para aquilo, errei demais, sou um fracasso. Amasso o papel e jogo longe, pra nunca mais.
Essa, meus caros, é uma das personas que sou. Tudo que gosto e faço por prazer, em determinado momento meus olhos encaram como obrigação e a partir daí não me permito errar mais. É onde tudo estraga. Isso é ridículo.
Sinceramente, não sei como as coisas chegam a esse ponto. Não sei se a maluquice que é viver em sociedade me fez engolir a ideia de que tenho que saber fazer tudo, ser a melhor em tudo. Isso é impossível, e eu tenho que me permitir errar.
Com base nisso, pensei: Porque não? E tentei voltar às origens, em busca de alguma inspiração.

“Antes eu preenchia linhas, agora, linhas vazias me preenchem. Sou toda vazio, sou toda enchente.”

É puro desabafo de uma mente atordoada, rabiscamente falando. São rabiscos sim, e deveriam ser exatamente isso. Quando não se sabe o que sente ou pensa, tentar expressar de maneira legível não funciona. Porque o que está lá dentro não é legível. É uma bagunça. Eu sou bagunça. E olhando pra cada palavra solta aí no meio, pra cada significado que tem as letras de música que aí estão, eu entendo.
A dor reside em cantinhos escuros e abandonados, e se não acharmos algo ou alguém que possa entrar nesses cantinhos e trazer um pouco de luz, tudo acabará em trevas. E então eu olho pra cada coisa bonita que encontro perdida nessa bagunça e peço aos céus que me dê forças pra continuar. Que eu sempre tenha com quem contar. Que me cerque de pessoas que me motivem a rabiscar para encontrar a raiz do problema, ou simplesmente para perder tudo que me incomoda ali, no meio da confusão.

Por hoje é só, e até a próxima dose!

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