No escuro

Não é à toa que as lágrimas escorrem sem parar. Nunca foi. É que eu não sei lidar com a solidão, e estou só. Estou mais só hoje, do que sempre estive. Estou mais, porque me dei conta de que sempre foi assim. Solidão na mesma proporção, desde o amanhecer, até quando o sol se vai.
A tristeza me desmonta por inteiro, fazendo com que eu me arraste por dentro de mim mesma. Sozinha, no escuro, eu só queria uma mão para segurar.
Em meio ao breu, ando pelos corredores da minha vida, tentando encontrar a luz. Luz interna em mim, luz externa a mim, uma faísca de amor. Tudo que brilha, se encontra lá fora. Quero para mim. E tudo de bom que tento manter em mim, se dissolve. Estou a desvanecer. Perdida em um caminho que não pedi para trilhar.
Cada ser humano tem sua história e suas dores, suas memórias e seus amores, e no fim, algo belo a oferecer. Tento encontrar isso em mim e não vejo nada, nada do que eu possa ser capaz. E a melancolia que me consome, diz que a solidão é amiga e veio para ficar. Veio para ajudar.
Em um mundo tão individualista, nada temos se não a nós mesmos. Mas já não quero saber de mim, não posso comigo mais. E quem há de querer? Se cada um continua sua jornada sem perceber as pessoas que por ela passam. Se cada um tem seus afazeres e já não podem cuidar de mim. E estou fraca, em meio ao tudo, cheia de nada. Cansada de dizer para mim mesma que sou forte e tudo posso sozinha, e que não preciso de ninguém. Estou farta de mentiras. E as que contamos para nós mesmos no decorrer da vida, são as que mais doem. Há muita dor em meu peito. E essa dor não se dissipa sozinha também.
Porque devo acreditar que nasci para ser independente, quando isso nem sequer existe? No meu mundo não é real. As pessoas causam dores umas às outras, e outras pessoas ajudam a lavar essas almas cansadas. Essas que ajudam, sofrem por outras pessoas, que estão a ajudar umas tantas por aí com suas dores. É um ciclo de amor e ódio, é um tal de morrer e renascer o tempo todo, na companhia dos demais. Dar a vida por alguém. Querer estar vivo por alguém. Deixar de viver por não ter alguém. E somos todos, fênix, consumidos pelo fogo, renascendo em meio ao que restou.
Enquanto meu olhar trêmulo suplica por uma alma amiga que possa me acompanhar em minha jornada, vejo que nada espero da vida além de simplicidade e carinho. Se sou ingênua demais, que atire a primeira pedra, quem não quer a mesma coisa também. Seria mais fácil levantar, seria menos doloroso cair, seria mais gostoso caminhar, seria mais confortável chorar.
Se mantenho apenas eu em minha vida, que tenho eu além de mim? Nenhuma história se faz com apenas o protagonista. Nenhum herói vence as batalhas sozinho. Não há alma que sobreviva sem um amor.
Nada se encontra sozinho. Nada se constrói sozinho. Nada tenho, e por fim, nada sou.

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