Uma carta para mim

Não sei exatamente em qual momento da vida você está. Mas se já se perdeu, irá torcer para se encontrar. Quando se encontrar, irá torcer para não se perder novamente.
A dor não funciona de uma maneira inteligível, muito menos agradável. Muitas vezes não há bom senso nenhum no processo de sofrimento. Só existe um verbo no infinitivo, que não precisa ser pronunciado para chegar ao âmago.
No meio da caminhada, sempre esperamos encontrar as respostas. Lhe digo que não as encontrará de fato. Assim que uma questão for dissolvida, outra surgirá. Ou talvez a mesma questão volte, pela falta de fé nas respostas. Coisa que se torna comum no decorrer dos anos.
Não irei dizer que no final de tudo são as perguntas que nos movem. Elas podem fazê-lo, e nos movem em direção à sabedoria. Mas depois de um tempo atrás do saber, irá entender que no fundo não entende nada, e que talvez nunca entenderá. A única coisa que aprendemos no percurso é o tamanho da dor que causa a nossa falta de vontade de ser ignorante.
Gostaria de te dizer essas palavras quando ainda era bem mais nova. Criança. Não ia esperar que entendesse, mas que ao menos gravasse no fundo do seu coração. Alguém deveria ter segurado sua mão e te ensinado a passar por isso. Mas muitas das coisas que acontecem em nossas vidas, temos de enfrentar sozinhos.
Desconhecendo a palavra solidão, você ainda caminha entre queridos, sonhando estar ao lado deles para sempre. Quando o amor bater em sua porta, perceberá que nada além dele faz sentido. Quando ele se for, não entenderá como tudo pode ser eterno e efêmero ao mesmo tempo. E então, irá adquirir uma nova palavra em seu vocabulário.
No final disso tudo, eu aqui do futuro, nada tenho para acrescentar. Digo-lhe o que vivi. O que senti. O que se foi e o que permaneceu. Tento olhar para trás e lembrar de tudo que já foi meu, se é que alguma coisa nos pertence afinal.
Junto com o sol, tento mostrar que a vida me fortaleceu. A lua me traz as verdades. Eu ainda sou eu. Eu ainda sou você. Apenas cansada e pessimista. Mais atraente e reservada. Com a fé ainda encostada naquela velha estante abandonada, junto dos vestígios de uma inocência feliz.

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