A ideia

Como a ideia de iniciar um livro surgiu é uma pergunta que sempre passa pela minha cabeça, quando estou lendo. A minha história resumida é mais ou menos assim.

Que eu queria escrever, sempre soube. Rabisco aqui, rabisco lá, diários pra tudo que é canto, blogs da revolta na adolescência. A questão é que: desde que comecei escrever, nunca parei. Eu sabia que minha verdade estava nos livros. Que a resposta para tudo estava ali. Que a cura para todas as minhas dores viria lentamente no processo complicado e árduo da escrita.
Aos 19 anos, tive a minha primeira tentativa. Logo que perdi um emprego, decidi que eu deveria começar um livro logo, se era isso que eu tinha em mente para profissão. A história apareceu bem clara, devido a uma série de complicações que aconteceram nesse momento da minha vida. Foram muitas perdas de uma vez só e eu precisava fazer algo com toda aquela dor. Comecei a história, criei com muito amor cada personagem. Os primeiros capítulos foram escritos numa velocidade impressionante, eu estava tendo uma brainstorm maravilhosa e queria aproveitar cada segundo dela. Até que a maré baixou. Baixou e nunca mais subiu. Eu cheguei em um ponto onde não sabia mais que rumo tomar, o que eu queria contar. Eu não tinha estabelecido um começo/meio/fim. Guardei na gaveta, esperando a brainstorm voltar. Não voltou. Vez ou outra, eu relia tudo pra ver se a inspiração batia, e não resolveu. Eu me afastei dos meus personagens e do conteúdo da história por tanto tempo, que quando resolvi reler de novo, eu já não pensava mais daquela forma. Eu tinha me transformado, e a pessoa que eu era naquele momento nem sequer escreveria sobre aquilo. Fiquei ressentida, pois o ato de criar personagens e abandoná-los nunca me pareceu sensato. Eu os criei, eles tem vida agora. Esse é meu lema (e também um papo pra outro dia).

Depois da primeira tentativa frustrada, demorou um pouco até a próxima. Eu decidi iniciar a faculdade de letras, depois de muito ser atormentada pela minha mãe. Pela falta de tempo, não dava pra focar em coisas extensas. Fui continuando com as crônicas e contos básicos, e desabafos em tumblr. Somente ano passado, em plena véspera de copa, me bateu aquela vontade avassaladora de escrever um livro novamente. Sem muitos porquês, eu estava deitada na poltrona da biblioteca onde trabalho e uma personagem criou vida sem mais nem menos na minha cabeça. Era como se pulasse em minha frente, implorando para que eu escrevesse. E lá estava eu, no dia da abertura da copa, isolada no escritório do meu ex-namorado escrevendo. Uma história infantojuvenil e animada, ficção. Desenvolvi bem, até meados de outubro do ano passado. Foi quando tive uma crise.

As crises depressivas sempre me acompanharam, mas foi ficando cada vez mais difícil de lidar e escrever sobre coisas felizes não estava ajudando, ao contrário do que eu imaginei. Nesse período, comecei a substituir o cara que ficava na biblioteca do terminal, que eu chamo carinhosamente de cubículo. Pessoas quase não apareciam por lá, e em um dia de desespero fatal e angustiante, comecei a escrever. Abri o Word, e apenas transformei toda a minha dor em uma personagem um tanto quanto mais ferrada do que eu. Acabei gostando do resultado, e achei que poderia facilmente virar um livro. Esse foi o início do Copos Vazios, vindo diretamente de uma tarde ensolarada em que eu suava frio de tensão, e no meu copo descartável havia restos de Coca-Cola sem gás. Continuei escrevendo durante o tempo em que trabalhei isolada no cubículo, que era sempre uma ótima fonte de inspiração, e continuo agora, que tenho mais tempo para pensar nisso, já que resolvi deixar a faculdade. Confesso que o rumo da história não é exatamente complexo, e dar continuidade é um procedimento tranquilo, já que estou contando sobre algumas coisas que realmente aconteceram no decorrer dos meus anos vividos, apesar dos personagens serem totalmente fictícios. Meu maior problema até então, era arrumar o nome para o livro. E então essa semana, após virar as últimas gotas de cerveja em minha boca, analisei o copo vazio. Ele resplandeceu, mostrando que era sim, a resposta que eu vinha procurando.

No momento tenho dois projetos de livros, e tento equilibrá-los na corda bamba que é meu humor. Estando feliz, escrevo um. Se não estou, escrevo o outro. Não pretendo me afastar de nenhum, são ideias que quero finalizar e criar coragem para tentar publicar. Sei que é uma longa estrada, ainda mais quando se tem tantas crises como eu. Sem contar todas as minhas fugas nos finais de semana como esse de agora, que não consigo me concentrar e ter inspiração. Fujo para meu diário (sim, ainda faço uso de diários e comentarei sobre isso qualquer hora), fujo para o álcool, fujo com amigos, fujo para as redes sociais, fujo para a música ou para o óbvio: Livros. O que me leva a ficar um pouco mais desmotivada quanto a escrever, porque aí se inicia a questão “nunca irei escrever tão bem quanto esse cara”. E agora, criei mais esse local de fuga. Minha vida de escritora de gaveta está mais para filme de ação, não é? Mas nem tudo se resume a fugir, uma hora sempre volto cantando Capital Inicial: “Eu posso ir e vir mas não vou embora”, porque a inspiração precisa voltar. Ela sempre acha um caminho de volta, e gosto de caminhar no mesmo ritmo que ela. Fazer as coisas contra a vontade, tira a magia e a paixão das coisas. Nem tudo se resolve com técnica, principalmente se referindo as artes. Tem que vir do coração, não tem jeito. Aí está uma coisa que aprendi nos meus dois anos de faculdade malsucedidos, #dramaqueen haha.

Esse foi um pouco do meu começo conturbado, e no decorrer dos dias vou esclarecendo melhor alguns pontos dessa conversa.

Por hoje é só, e até a próxima dose! 

Anúncios

8 comentários

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s